sexta-feira, 29 de junho de 2012

Tempo

Tudo errado
Tudo certo, talvez
O tempo mais uma vez
É o senhor das promessas mal feitas
O terror das contradições
O doutor das indiferenças
A cura do nada
O tempo não passa pra quem sente dor
Pra quem tem amor e merece o respeito
De quem a despeito recebe o desleixo
Como gratidão
Não há mão...
Não há quem levante
Nem agora nem antes
O que em instantes desaba no chão.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Retalhos

Nos pés sujos de um menino puro
Que veio brincar no meu quintal
Nas veias dessas vias tortas
Entre o bem e o mal
Nos seios dos anseios fartos
De alimentar um batalhão
Nas curvas dessa estrada reta
Procuramos direção
Nos bares e esquinas turvas
Há de sobra sobriedade
Nos restos e migalhas
Redescobrimos toda verdade
Nas linhas que pespontam
O meu coração pedante e tolo
Como um cobertor de retalhos
Recortamos um pra remendar o outro.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ciclo

De agora em diante mantenha bem perto
Tudo que te amedronta
Perceba que assim se tornará fácil administrar
São dois pra lá e dois pra cá,
não fuja da dança, tome cuidado pra não cansar
Não perca a cabeça, mas não chegue ao ponto de vê-la rolar
O tempo passou, meu amor, igual pra nós dois
E mesmo depois, continuou a jogar
O jogo não para e o dado só conta até seis
Nesse vai e volta, tudo que acaba
começa outra vez.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ferrugem

A tinta desbotada
Em linhas tão tortas
Aquela folha amarelou
Tantas cores, tantas sombras,
Tantos sonhos
O velho Samba, o mesmo amor
Meus dedos enferrujados
Já não desenham teu sorriso
E tudo que sobrou foi água
Que te faz tão perto e distante
Equilibra, nunca acalma
Mesmo assim, não perderia por nada
Nem mesmo por falta de coragem
Um segundo sequer desse mar
É movido por tantos ventos
Que por alguns momentos eu nem sei
Se o que eu sinto é só saudade
Mas o que eu sei é que um dia
Eu soube desenhar teu sorriso
Perfeito em uma folha tão branca
Quanto esse mesmo amor que resiste
a todas essas manchas e continua
intacto dentro de mim.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O sonho

Ela andou alugando planos
Escrevendo cartas
Descobrindo cores por ai
Sonhou que acordou pros sonhos
Que dormiu cantando
Aprendeu a dançar tango
Jurou que ao menos por dez anos
Só iria chorar de tanto sorrir
Sentiu o amor que desfilava
Tudo que faltava em sua alegoria
Vestiu a fantasia, sambou na avenida
E o carnaval nunca mais terminou
Pra uns é fevereiro
Pra outros o ano inteiro
O sonho é samba, mas a vida é Rock ‘n roll.

domingo, 20 de junho de 2010

medida

como posso amar tanto, se essa sombra insiste em me mostrar tão só
depois que olhei pros vários lados que me cercam
procurei semelhantes e tinha muitos
mas eu, por ironia do destino, ou não, não era desses, nem daqueles
eu senti que não era ninguém.
de um lado tinha tanto, do outro nada
na hora de escolher, fui pelo que corria nas veias
pelo que pulsava mais forte, me despertava paixão
tenho proximidade e distância perante as mesmas coisas
sinto vazio, sinto cheio e tudo muda o tempo todo
tudo gira no meu peito, nas minhas mãos
as vezes fico tonta de tanto passear pelas realidades
quem dera sonhar acordada sem culpa de perder o rumo
nunca quis me sentir assim, mas sinto
gosto de ser aconchegante, simples, mesmo que furacão e caos
queria ser quente e calma como um ambiente iluminado por velas
tentativas frustradas de me encaixar aqui, acolá
e quase sempre eu me perdia de mim
talvez eu seja mesmo diferente
talvez eu seja tão igual a ponto de me irritar com isso
ou pode ser que eu apenas não saiba quem sou
o que sou ou do que sou feita...
mas a única certeza é que amor não me falta
por onde quer que eu ande, onde quer que eu chegue
o mundo sempre vai me dar casa e uma cama quente pra deitar
onde quer que eu durma, eu mesma me balanço e canto pra me ninar
entre o muito e o pouco dos meus mundos
sempre dei e recebi na medida exata pra ser feliz

terça-feira, 1 de junho de 2010

Infinito

Um dia depois da tristeza
O que sobrou?
Mais tristeza não poderia vir
Hematomas de um porre qualquer
Do pouco que forçava a lembrar
Dobrava o esforço pra esquecer
Esses desenhos no chão do quintal
Cobertos de poeira que adentram
Impregnam meus cabelos, até os pensamentos
Tantos soltos, que já não mais me apego a contar
Nem quero saber de seus passos
Até onde eles chegam, se me levam ou não
Bom seria bloquear as dúvidas
Delas, o quarto transborda em noites inteiras
As respostas também se tornaram dispensáveis
A partir do momento que me vi
De fora tudo é tão absurdo, pobre
Implodir as mentiras até que se tornem
Pequenas verdades de botequim
Há de se desconfiar de tudo
Tudo que seja repetido feito um mantra
Muito mais dos que fazem do amor
Um livro de auto-ajuda.